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Por escassez de padres, Igreja Católica pode discutir ordenação de casados

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A escassez crônica de padres para atender os fiéis em regiões remotas da Amazônia pode levar o papa Francisco a considerar a opção de ordenar homens casados como sacerdotes da Igreja Católica, afirma a imprensa italiana, segundo reportagem de Reinaldo José Lopes, da Folha.

Segundo o jornal “Il Messaggero”, religiosos brasileiros, como o cardeal dom Cláudio Hummes e o bispo emérito da prelazia do Xingu, dom Erwin Kräutler, teriam defendido a necessidade de debater o tema durante o Sínodo Pan-Amazônico, encontro de bispos da região marcado para 2019.

A região amazônica pode ser considerada estratégica para o pontífice argentino por diversos motivos.

Francisco mostrou que deseja aproximar mais a Igreja das causas ambientais com sua encíclica “verde”, a “Laudato Si'”, e sua preocupação com áreas do planeta consideradas marginais, nas quais existem pobreza crônica, populações nativas sob pressão externa e crises migratórias, também é bem conhecida.

Em entrevista de 2015, dom Erwin Kräutler declarou que via a questão do ponto de vista prático, como parte do bem-estar espiritual dos fiéis. “O problema não é o celibato em si, que é uma graça, mas o fato de que milhões na Amazônia ficam privados da Eucaristia”, disse o bispo.

A Eucaristia ou comunhão, momento máximo da missa, depende da consagração da hóstia e do vinho, que só pode ser feita por padres.

Rodrigo Coppe Caldeira, especialista em história do catolicismo da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, lembra que já existem sacerdotes casados na ativa hoje, em situações especiais. Há os católicos do chamado rito oriental, como os da Ucrânia e do Oriente Médio, entre os quais a presença de padres com mulher e filhos é aceita há séculos.

Na década passada, o atual papa emérito Bento 16 estabeleceu normas para acolher religiosos anglicanos casados que se convertessem ao catolicismo.

“Numa entrevista anterior, Francisco havia dito que considerava o celibato como uma experiência muito mais positiva do que negativa e que, se fosse necessário rever essa disciplina, seria uma opção muito mais cultural, local, do que universal”, destaca Caldeira.

Uma vez que uma pequena mudança for feita, porém, a questão é onde parar. “Como ficaria a situação na África? E na Europa, onde há cada vez menos sacerdotes?”, aponta o pesquisador.

DIÁCONOS

Dentro do pontificado do papa argentino, essa abordagem faz sentido porque Francisco já mostrou diversas vezes seu interesse pelo contexto local das diferentes igrejas, diz o sociólogo Francisco Borba Ribeiro Neto, coordenador de projetos do Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP.

“De certa maneira, já existe um experimento embrionário de como seria esse tipo de sacerdócio com a existência dos diáconos casados”, aponta ele. Esses diáconos, em geral fiéis mais velhos e experientes, podem conduzir cerimônias de casamento, por exemplo, embora não possam consagrar as hóstias e o vinho usados na Eucaristia.

Além disso, lembra Ribeiro Neto, nas igrejas orientais nas quais há padres casados, o casamento sempre acontece antes da ordenação —se alguém se torna sacerdote ainda solteiro, espera-se que continue celibatário.

“Portanto, a lógica é que você crie dois caminhos paralelos para o sacerdócio, digamos, e não que essa possibilidade sirva para que os padres já ordenados hoje acabem se casando.”

Além do Sínodo Pan-Amazônico, marcado para 2019, haverá outro sínodo em 2018, cujo tema serão as vocações dos jovens —um termo que, num contexto católico, tem a ver, em grande medida, com o desejo de entrar na vida sacerdotal ou religiosa.

Levando em conta as discussões abertas e frequentemente ásperas que marcaram o primeiro sínodo do papado de Francisco, dedicado à família, faz sentido esperar que propostas ousadas sobre a ordenação de casados sejam expostas de modo mais claro em ambos os encontros futuros.

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Morre a jornalista e apresentadora Glória Maria

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Redação do Portal da Capital

Morreu na manhã desta quinta-feira (2), aos 73 anos, a jornalista e apresentadora Glória Maria, em decorrência de um câncer no cérebro. Ela estava internada no hospital Copa Star, na zona Sul do Rio. Glória deixa duas filhas, Maria e Laura.

Em 2019, Gloria Maria passou por uma cirurgia de emergência para a retirada de um tumor no cérebro, descoberto repentinamente, após um desmaio. Depois da cirurgia, a apresentadora vinha fazendo tratamento com radioterapia e imunoterapia.

A jornalista estava afastada do “Globo Repórter” há mais de três meses, por conta do tratamento. O último programa apresentado por ela foi a edição do dia 5 de agosto de 2022. Ela trabalhava no “Globo Repórter” há 12 anos.

Nascida em Vila Isabel, zona Norte do Rio, filha do alfaiate Cosme Braga da Silva e da dona de casa Edna Alves Matta, Glória Maria Matta da Silva se formou em jornalismo na Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio) e entrou na TV Globo como rádio-escuta na editoria Rio da emissora. Mais tarde, foi efetivada como repórter. Sua primeira entrada ao vivo foi em 1971, na cobertura do desabamento do Elevado Paulo de Frontin, no Rio de Janeiro. Ela também foi a primeira repórter a entrar ao vivo na primeira matéria a cores do “Jornal Nacional”, em 1977.

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Um dia após perder o foro privilegiado, Daniel Silveira é preso pela PF

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Redação do Portal da Capital

O ex-deputado Daniel Silveira (PTB-RJ) foi detido hoje em Petrópolis (60 km do Rio) por descumprimento de medida cautelar. A prisão foi determinada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

A informação foi divulgada inicialmente pelo canal Globo News e confirmada pelo UOL com fontes da Polícia Federal. A reportagem tenta contato com a defesa e a assessoria do ex-parlamentar.

Silveira se candidatou ao Senado no ano passado, mas não conseguiu se eleger, apesar de ter recebido mais de 1,5 milhão de votos. Como ontem foi o início da nova legislatura, ele perdeu o foro privilegiado.

Após as eleições, ele aceitou um convite para assumir a chefia do gabinete do senador Magno Malta (PL-ES).

No ano passado, Silveira foi condenado pelo STF a oito anos e nove meses de prisão pelos crimes de tentativa de impedir o livre exercício dos poderes e coação em processo judicial. No dia seguinte, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) concedeu perdão a ele.

Mais informações em instantes.

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Senador renuncia e diz que Bolsonaro tentou coagi-lo a dar um golpe

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Redação do Portal da Capital

O senador Marcos do Val (Podemos-ES) anunciou na madrugada desta quinta-feira (2) sua renúncia ao mandato e disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tentou coagi-lo a dar um golpe para seguir no Palácio do Planalto.

“Eu ficava puto quando me chamavam de bolsonarista. Vocês me esperem que vou soltar uma bomba. Sexta-feira vai sair na Veja a tentativa de Bolsonaro de me coagir para que eu pudesse dar um golpe de estado junto com ele, só para vocês terem ideia. E é logico que eu denunciei”, disse o senador.

A declaração foi dada durante uma live em suas redes sociais. Ele não deu mais nenhum detalhe sobre o que teria sido essa pressão do ex-presidente sobre o tema.

Bolsonaro está nos Estados Unidos desde o final do ano passado e ainda não se manifestou sobre a declaração do senador.

O ex-presidente é alvo de diferentes ações que pedem a sua inelegibilidade por abuso de poder nas eleições e também está mira de apurações sobre os ataques de 8 de janeiro como tendo sido o seu principal incentivador por causa de inúmeras declarações golpistas ao longo do mandato (2019-2022).

Bolsonaro pediu um visto de turista para permanecer mais tempo nos Estados Unidos, onde está desde o fim do ano passado, segundo seus advogados.

Ele afirmou nesta terça-feira que vai ficar mais tempo no país. “Estou há 30 dias aqui, pretendo ficar por mais algum tempo. Não tenho certeza quanto tempo ainda. Estou com muita saudades do meu país.”

Marcos do Val, em suas redes, também escreveu nesta madrugada sobre a sua renúncia ao mandato no Senado, mas sem citar Bolsonaro.

“Após quatro anos de dedicação exclusiva como senador pelo Espírito Santo, chegando a sofrer um princípio de infarto, venho através desta, comunicar a todos os capixabas a minha saída definitivamente da política.”

“Perdi a convivência com a minha família em especial com minha filha. Não adianta ser transparente, honesto e lutar por um Brasil melhor, sem os ataques e as ofensas que seguem da mesma forma. Nos próximos dias, darei entrada no pedido de afastamento do senado e voltarei para a minha carreira nos EUA.”

“Nada existe de grandioso sem paixão. Essa paixão não estou tendo mais em mim. As ofensas que tenho vivenciado, estão sendo muito pesado para a minha família. Que Deus conforte os corações de todos os meus eleitores. Desculpem, mas meu tempo, a minha saúde até a minha paciência já não estão mais em mim! Por mais que doa, o adeus é a melhor solução para acalmar o meu coração…”

Nesta semana, em seu primeiro evento público desde que deixou o Brasil, Bolsonaro afirmou que o novo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “não vai durar muito tempo”, disse que houve injustiça nos processos dos ataques em Brasília em 8 de janeiro e afirmou que permanecerá no país por mais tempo.

“Pode ter certeza, em pouco tempo teremos notícias. Por si só, se esse governo [Lula] continuar na linha que demonstrou nesses primeiros 30 dias, não vai durar muito tempo”, disse, sem deixar claro se estava se referindo a um eventual processo de impeachment, por exemplo.

Também nesta semana o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a Polícia Federal a interrogar o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, sobre a minuta de um decreto para Bolsonaro instaurar estado de defesa no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Uma cópia do documento foi encontrada pela PF há três semanas na casa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, como revelou a Folha.

Torres, que também foi secretário da Segurança Pública no DF, é alvo de investigação que apura eventual omissão de autoridades públicas sobre os ataques golpistas do dia 8 de janeiro.

O ministro estabeleceu cinco dias de prazo para que a PF cumpra a providência. Procurado por intermédio de sua assessoria, Valdemar não comentou o assunto.

Em entrevista ao jornal O Globo, Valdemar disse que diversos membros e interlocutores do governo Bolsonaro tinham, em suas casas, propostas similares à minuta do golpe.

“Aquela proposta que tinha na casa do ministro da Justiça, isso tinha na casa de todo mundo”, disse, acrescentando que Bolsonaro “não quis fazer nada fora da lei”.

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