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Por que os institutos de pesquisas erraram tão feio no Brasil?

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* Por Josival Pereira

Um dos assuntos mais comentados depois da divulgação dos resultados da votação em primeiro turno tem sido o erro das pesquisas. Vai virar saco de pancada no segundo turno.

Na verdade, não dá para passar novamente ao largo desse problema. Os institutos já cometeram erros em outras eleições, mas acabou ficando por isso mesmo. Nas eleições presentes pelo menos 14 grandes institutos fizeram pesquisas e alguns poucos se aproximaram do resultado final.

Por que os institutos erraram tanto?

Cientistas políticos, estatísticos, analistas e diretores dos institutos se desdobram para explicar as diferenças. Poucos admitem a existência de erros de metodologia e atribuem as diferenças à movimentação do eleitorado nas últimas horas e reações de segmentos religiosos.

Nesse campo, algumas explicações seriam, por exemplo, o voto útil cirista, que teria migrado de Ciro para Bolsonaro nas últimas horas antes das eleições. Tem uma certa lógica, uma vez que Ciro aparecia com cerca de 7% nas pesquisas e obteve apenas 3,1% nas urnas. O que ele perdeu não somou a Lula. Parecem ter somado a Bolsonaro.

Outras explicações seriam uma mobilização de última hora dos evangélicos dentro das igrejas e grupos de redes sociais; a reação refratária de evangélicos às pesquisas, o que dificultaria as consultas; a dificuldade em captar o voto dos conservadores e o voto envergonhado, que é o medo de se manifestar em ambientes majoritariamente contrários.

 

Do ponto de vista mais político, uma explicação para as mudanças na véspera das eleições seria o engajamento de grupos e movimentos antipetistas. Seria o caso de São Paulo, por exemplo. O candidato a senador derrotado, Márcio França, avalia que as críticas do petista Fernando Haddad, no debate da Globo, ao governador Rodrigo Garcia (PSDB), teriam disparado o sentimento antipetismo na última, que é muito forte em alguns Estados. Como Garcia não iria ao segundo turno, Bolsonaro e seu aliado teria sido beneficiados pela reação.

A elevada abstenção, que teria atingido 32 milhões de eleitores (20,9%), seria outra explicação para a diferença entre as pesquisas e o resultado das urnas.

Além disso, existiria um problema de fundo: a desatualização do censo levaria a montagens falseadas da estratificação social. Desconfia-se que o número de evangélicos hoje no país seja bem maior do que estimam as estatísticas por atualização. Só isso já seria suficiente para mudar a cor do quadro pintado pelas pesquisas.

São reflexões válidas, mas ainda insuficientes para justificar os erros dos institutos de pesquisas nessas e em eleições passada. Levantamentos eleitorais em países da União Europeia são quase prognósticos. Quem acompanhou as eleições recentes no Chile e outros países latino-americanos deve ter percebido que os resultados das urnas são quase os mesmos das pesquisas.

O Brasil precisa melhorar muito seu padrão de pesquisas. Parlamentares estão anunciando uma série de propostas para regulamentar a realização de levantamentos eleitorais. Tem até proposta de CPI. Talvez seja esse o momento de aperfeiçoar.

É proibido a divulgação de pesquisas nos últimos 10 dias antes das eleições em muitos países. Essa é uma questão a se discutir. O problema principal, no entanto, talvez seja mesmo de metodologia. O Brasil é complexo e não funciona com modelos copiados.

Fora da ciência e da técnica, porém, o problema de muitas pesquisas está na relação dos institutos com os próprios políticos, que inventou as pesquisas “encomendadas”. Um horror.

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Qual a expectativa de nomes da Paraíba no futuro governo Lula?

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Redação do Portal da Capital

* Por Josival Pereira

Embora já esteja marchando para a fase final, a Comissão de Transição de Governo, montada pelo presidente Lula, ganhou o reforço de paraibanos nos últimos dias.

Formalmente, entraram na comissão Madu Ayá, secretária Executiva da Juventude do Estado; Dênis Soares, dirigente estadual do PV; Lenildo Morais, petista e suplente de deputado federal; Flávio Moreira, presidente do Agir na Paraíba, e o advogado Rodrigo Farias, ex-procurador de João Pessoa e atual procurador Jurídico da Câmara de Vereadores.

As nomeações reduzem a insignificância da Paraíba na Comissão de Transição, mas, ainda assim, a presença do Estado é diminuta e pouco representativa diante do quadro ostentado por outros Estados. Pelos nomes já nomeados, é plenamente possível concluir que vários deles vão ocupar cargos importantes no futuro governo. No Nordeste, Pernambuco e Bahia se destacam, mas Estados pequenos, como o Piauí, têm nomes na comissão que vão passar direto para cargos em Brasília.

Pode algum desses nomes da Paraíba na Comissão de Transição ser nomeado para cargos no futuro governo?

A Paraíba tem dois políticos com mandatos no Congresso na comissão. São o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) e Gervásio Filho (PSB). Ambos têm plenas condições de ocupar cargos no governo, mas, dificilmente, isso ocorrerá. No caso de Veneziano, o MDB até poderia indicá-lo, mas, se ele deixar o Senado, o suplente é o bolsonarista Ney Suassuna. Como Lula precisa compor maioria no Congresso, os parlamentares têm poucas chances.

Dos integrantes da Comissão de Transição, talvez seja interessante prestar atenção ao nome do advogado Rodrigo Farias, que participa da Comissão de Justiça e Segurança. Rodrigo é irmão do deputado Lindberg Farias (PT) e ganhou certa notoriedade dentro do partido ao comandar o trabalho de advocacia eleitoral em eleições passadas no Rio de Janeiro. Além disso, o advogado paraibano tem longa experiência no campo jurídico, tendo se destacado como procurador-geral de João Pessoa e no trabalho na advocacia.

Nos últimos anos, Rodrigo Farias tem se dedicado a aprofundar os estudos jurídicos em cursos internacionais, especialmente, se submetendo a um mestrado na França.

Perspicaz, fino no trato, além de preparado, não será surpresa se o advogado Rodrigo Farias acabar convocado para exercer funções no Ministério da Justiça.

Além de Rodrigo, não será surpresa se a cantora Madu Ayá for convocada para ocupar cargos na área da juventude e, por fora da Comissão de Transição, existe expectativa em torno da possibilidade de nomeação do nome da deputada Pollyanna Dutra para cargo no Ministério da Cidadania. Além disso, os nomes do ex-governador Ricardo Coutinho e da suplente de deputada federal Estela Bezerra deverão ser aproveitados no governo Lula, talvez em cargos mais regionalizados.

Mesmo que essas expectativas sejam supridas, é melhor do que se pronunciava, mas, ainda assim, a Paraíba estará insignificantemente representada no novo governo Lula.

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Articulações políticas de Lula podem gerar impactos na Paraíba

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Redação do Portal da Capital

* Por Josival Pereira

Declarações de políticos e o noticiário da imprensa levam a crer que o presidente Lula se encontra essa semana em Brasília empenhado apenas em conseguir apoios para a aprovação da PEC da Transição, que garante recursos para o programa Bolsa Família, no valor de R$600,00, com mais R$150,00 por filhos até 6 anos, fora do teto de gastos, um ferrolho criado para barrar excesso de gastos públicos.

A PEC da Transição é muito importante, mas não é a principal preocupação de Lula nem o objeto primeiro de suas articulações em Brasília. O problema de Lula e do futuro governo é o Congresso ou a falta de uma base de apoio majoritária e segura na Câmara dos Deputados e no Senado, e é por esse motivo que o novo presidente se encontra na Capital Federal.

Por essas e outras é que a principal movimentação de Lula no momento é totalmente voltada a tentar montar uma base no Congresso que garanta a governabilidade sem grande dependência do Centrão.

E isso seria possível?

Há uma possibilidade na qual o presidente Lula está apostando todas suas fichas de “encantador”, como diria Ciro Gomes. É atrair  três partidos que não o apoiaram na campanha para o governo: MDB, PSD e o União Brasil.

O MDB estaria se fazendo de rogado e pedindo três ministérios, segundo a imprensa. Lula estaria oferecendo um ministério e outros postos importantes. Levando-se em consideração que o MDB participou de todos os governos desde a redemocratização, o mais provável é que acabe fechando acordo com Lula.

O presidente também deverá conseguir o apoio do PSD, uma vez que o presidente da legenda, Gilberto Kassab, é extremamente pragmático e não tem maiores ligações com o bolsonarismo.

O problema reside na engenharia para atrair  o União Brasil, que tem uma banda muito ligado ao ex-presidente Bolsonaro. Verdade é que o presidente do partido, deputado Luciano Bivar, corteja essa aliança com Lula desde às últimas semanas do primeiro turno. É possível que Lula ponha o União Brasil no governo, mas não conte com o apoio da inteira bancada da legenda.

Existem ranços difíceis de serem superados. É o caso da Paraíba, por exemplo, onde o senador eleito, Efraim Morais, teria muitas dificuldades de convivência com os aliados de Lula. Mas talvez  seja por aí que o deputado Julian Lemos esteja sonhando em participar do novo governo.

Observe-se que não existe movimentação de Lula na direção da possível formalização de convite aos Republicanos do deputado Hugo Motta para o governo. É que o partido, além de ter participado oficialmente da coligação de Bolsonaro, mantém fortes vínculos com o bolsonarismo, especialmente a partir do governo de São Paulo (o governador eleito, Tarcisio Freitas, é do Republicanos).

Perceba-se, então, que, em grande medida, as articulações do presidente Lula poderão impactar na política da Paraíba, não apenas agora, mas no futuro, podendo mexer com o senador Efraim Filho e o deputado Hugo Motta, um se aproximando e o outro se distanciando do PT e legendas associadas.

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No comando da ALPB Galdino garantiu governabilidade para João Azevêdo

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Redação do Portal da Capital

A eleição para a composição da nova Mesa Diretora da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) para o novo biênio a partir de 2023 tem movimentado os bastidores da política paraibana nos últimos dias e segue apontando o atual presidente, Adriano Galdino (Republicanos), como favorito.

De acordo com informações de bastidores, dos 36 (trinta e seis) deputados da Casa de Epitácio Pessoa, Galdino possui apoio de, pelo menos, 27 (vinte e sete) parlamentares que ao justificarem suas respectivas intenções de voto apontam o ‘jogo de cintura política’ do atual presidente como grande diferencial sobre outros postulantes ao cargo.

Galdino, ao longo de seus mandatos à frente da Casa, conseguiu garantir a  imprescindível governabilidade para João Azevêdo (PSB) durante os dois mais recentes biênios de seu mandato. E, em nome dessa mesma governabilidade, Adriano sempre defendeu o Governo do Estado, com ‘unhas e dentes’, até mesmo durante os debates mais acalorados com o líder da bancada de oposição, Cabo Gilberto Silva (PL).

O favoritismo de Galdino também é reforçado pela promessa feita pelo Republicanos que, através de sua cúpula estadual, já confirmou manutenção de todos os acordos fechados sem o perigo de acontecer quebra de quaisquer um deles como, em outros tempos, já havia acontecido ao longo de outras legislaturas.

Adriano Galdino conta com a tranquilidade resultante da experiência política que adquiriu ao já ter sido eleito como presidente da ALPB por, pelo menos, três vezes: 2015-2017; 2019-2021; e, de 2021-2023 e é exatamente essa mesma experiência que o transforma, naturalmente, em um ‘páreo duro’ que, a cada dia, está mais próximo da vitória.

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